setembro 14, 2026

Carreira líquida, gestão do tempo e marca pessoal: as reflexões de Ana Rita Daudt sobre o mercado de trabalho hoje

Cuidar de pessoas é cuidar do negócio

O fio condutor da conversa é o princípio que orienta a atuação profissional de Ana Rita: cuidar de pessoas e cuidar dos resultados de um negócio não são frentes separadas, mas uma só. Essa visão sustenta seu trabalho em desenvolvimento de lideranças e gestão de subsistemas de RH.

Carreiras líquidas: o fim da escada vertical

Um dos temas centrais é a transição do modelo tradicional de carreira, aquela progressão linear e vertical (estagiário, analista, especialista), para o conceito de carreira líquida: mais flexível, menos amarrada a um plano rígido definido pela empresa e mais orientada pelos desejos, saberes e áreas de contribuição de cada profissional. Segundo Ana Rita, essa mudança também está sendo adotada internamente por empresas que buscam se adaptar a mercados em transformação constante.

O trem acelerado: gestão de tempo em meio ao excesso de estímulos

A conversa resgata uma metáfora usada anteriormente por Alessandra: a sensação de estar em um trem veloz, olhando pela janela sem realmente enxergar nada. Ana Rita relaciona isso à realidade de múltiplas telas, aplicativos e notificações simultâneas (e-mail, Teams, WhatsApp, Slack, celular pessoal e corporativo), que fragmentam a atenção e dificultam a clareza na tomada de decisão.

Para lidar com esse cenário, ela recomenda aplicar lógicas de priorização (como a matriz de importância e urgência) para distinguir entre demandas que realmente conduzem a resultados e aquelas que apenas geram a sensação de estar ocupado, sem avanço real.

Cansaço não é sempre sinal de mudança de carreira

Um ponto de atenção trazido por Ana Rita: nem toda vontade de trocar de carreira nasce de um desalinhamento real de propósito. Muitas vezes, é esgotamento mental causado pelo excesso de estímulos e demandas, algo que o corpo humano, segundo ela, ainda não teve tempo evolutivo de acompanhar diante da velocidade trazida pela tecnologia e pela IA. Ela recomenda diferenciar sinal de ruído antes de tomar decisões de carreira baseadas em cansaço.

Comunicação é responsabilidade de quem fala, não de quem escuta

Um dos pontos mais práticos do episódio é o princípio de que a responsabilidade pela comunicação eficaz é de quem se expressa, independentemente de como a mensagem foi recebida. Se houve desconexão ou mal-entendido, cabe à pessoa que comunicou ajustar a forma de se expressar, e não atribuir a falha à interpretação do outro. Ana Rita recomenda como exercício prático se gravar e se assistir, avaliando se a mensagem passada corresponde à intenção original.

Marca pessoal começa no autoconhecimento, não no mercado

Questionada sobre o que o mercado valoriza em termos de marca pessoal, Ana Rita inverte a lógica: antes de pensar no que o mercado quer, é preciso ter clareza sobre o próprio propósito e aquilo em que se é bom. A marca pessoal, para ela, é o que permanece de alguém na percepção das pessoas, independentemente da empresa em que essa pessoa está, e se fortalece quanto mais próxima estiver da essência de quem a constrói.

LinkedIn e IA como ferramentas de carreira

Ana Rita reforça que a responsabilidade pela carreira é sempre da própria pessoa, não da empresa ou do RH, comparando delegar essa responsabilidade a contratar um personal trainer e esperar resultados sem se exercitar. Ela recomenda o uso estratégico do LinkedIn, incluindo o uso de inteligência artificial para identificar palavras-chave relevantes ao cargo desejado e otimizar a visibilidade do perfil nos mecanismos de busca da própria plataforma.

Perguntas frequentes

O que é carreira líquida? É um modelo de carreira mais flexível que o tradicional plano vertical, permitindo transitar entre áreas e experiências de acordo com interesses, saberes e oportunidades, em vez de seguir uma progressão rígida definida pela empresa.

Todo cansaço no trabalho significa que é hora de trocar de carreira? Não necessariamente. Segundo o episódio, muitas vezes o cansaço é esgotamento causado pelo excesso de estímulos digitais e demandas urgentes, não um sinal real de desalinhamento de carreira.

De quem é a responsabilidade pela comunicação eficaz? De quem comunica. Se a mensagem não foi compreendida como pretendido, cabe a quem fala ajustar a forma de se expressar.

Como construir marca pessoal, segundo o episódio? Partindo do autoconhecimento, entendendo o próprio propósito e áreas de contribuição, antes de alinhar isso às demandas do mercado.

Onde assistir ao episódio completo? No canal da Conexão IE no YouTube, na série de podcast Carreiras IE.

Este artigo foi produzido a partir do episódio Carreiras IE, apresentado por Alessandra Gonzaga.

Assista ao episódio completo: ▶ Assista ao episódio completo no YouTube Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.

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