maio 8, 2026
As bolas de vidro que a gente deixa cair: a trajetória de Muriel Antonow entre carreira, família empresária e maternidade
Do interior das Missões ao polo petroquímico
Muriel conta que sua trajetória profissional começou por inspiração: cresceu em Santo Augusto, no interior gaúcho, filha de um funileiro que depois se tornou dono de uma metalúrgica, e se encantou pela química ao visitar um laboratório na UFRGS ainda adolescente, influenciada também por uma professora de escola pública que ela credita como decisiva em sua escolha de carreira. Aos 18 anos, decidiu ir para Porto Alegre estudar química industrial, apoiada por um pai que, apesar de não exigir que os filhos continuassem o negócio da família, sempre cobrou que buscassem conhecimento e formação.
Carreira corporativa e associativismo: dois papéis, um propósito
Há 18 anos na Braskem, Muriel descreve a empresa como um ambiente formador, com múltiplas trocas internas de setor e crescimento profissional. Paralelamente, foi convidada a integrar a diretoria da Federação das Indústrias, convite que a marcou por ter sido dirigido a ela e não ao pai, sinal de que a instituição buscava renovação genuína de lideranças jovens. Foi nesse espaço associativo que encontrou uma sensação de propósito: ajudar pessoas sem necessariamente ocupar um cargo de destaque para isso.
A bola de vidro que caiu
Um dos momentos mais marcantes da conversa é a metáfora das “bolas de vidro”, papéis da vida (família, carreira, saúde) que, segundo a crença de Muriel, não podiam cair. Ela relata como viveu a separação durante a gravidez de sua filha como a quebra dessa bola mais importante, carregando por anos a sensação de fracasso pessoal por não ter conseguido manter o casamento, mesmo reconhecendo, mais tarde, que a decisão foi necessária diante de uma quebra de confiança que inviabilizava a relação.
Autenticidade é assumir a vulnerabilidade, não superá-la
Muriel descreve como só conseguiu ressignificar essa dor ao compartilhá-la publicamente, em uma formação de liderança baseada nos princípios de Dale Carnegie, e ao se identificar com os conceitos de vulnerabilidade de Brené Brown. Para ela, autenticidade não é impor a própria vontade ao mundo, mas reconhecer que certas perdas são necessárias e mesmo assim doloridas, e que é esse processo, não sua ausência, que transforma.
Um líder que reconheceu o momento certo
Um episódio concreto de liderança empática é relatado por Muriel: ao reler uma autoavaliação profissional fraca logo após a separação, um líder da Braskem reconheceu publicamente que aquele resultado não apagava treze anos de entregas consistentes, validando o momento pessoal sem descontar seu valor profissional acumulado. Ela credita esse tipo de acolhimento, tanto no ambiente corporativo quanto na empresa da família, como determinante para sua reconstrução.
A metáfora do caranguejo
Perto do encerramento, Alessandra traz a imagem de um caranguejo trocando de casca: o processo doloroso de abandonar uma estrutura que já não cabe mais, e a vulnerabilidade do período entre uma casca e outra, antes que a nova esteja pronta. Muriel reconhece esse período como parte necessária de sua própria reconstrução profissional e pessoal após a maternidade.
O que a maternidade ensinou
Ao encerrar, Muriel descreve como a maternidade a transformou antes mesmo do nascimento da filha, durante um período de repouso hospitalar imposto pela gravidez de risco. Ela reflete sobre como aquilo que antes considerava uma fragilidade pessoal, acreditar no lado bom das pessoas, hoje reconhece como um valor que deseja ativamente transmitir à filha.
Perguntas frequentes
Quem é Muriel Antonow? É química industrial, executiva com 18 anos de carreira na Braskem, integrante da diretoria da Federação das Indústrias (Colif) e conselheira em formação na empresa familiar Antonow.
É possível ter equilíbrio total entre carreira, família e vida pessoal, segundo o episódio? Não. A conversa reforça que buscar equilíbrio perfeito em todas as áreas simultaneamente é uma expectativa irreal; algumas prioridades precisam ceder espaço em diferentes momentos da vida.
O que a metáfora das “bolas de vidro” representa no episódio? Representa os papéis e valores que consideramos essenciais na vida (família, carreira, saúde) e a falsa crença de que nenhum deles pode ser abalado, quando na prática algumas perdas são inevitáveis e até transformadoras.
Onde assistir ao episódio completo? No canal da Conexão IE no YouTube, na série de podcast Carreiras IE.
Este artigo foi produzido a partir do episódio Carreiras IE, apresentado por Alessandra Gonzaga.
Assista ao episódio completo: ▶ Assista ao episódio completo no YouTube Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.
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