setembro 14, 2026

Liderança em meio ao caos: a jornada de Carol Chiao, CEO da FIMAC, no Arena IE

Quem é Carol Chiao

Carol Chiao é CEO da FIMAC, empresa industrial gaúcha especializada em usinagem, e representa a segunda geração à frente do negócio fundado por sua família. Além da liderança executiva, ela é bacharel e mestre em Ciências da Computação pela UFRGS, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios pela FGV e em Gestão Estratégica Internacional pela EADA (Barcelona). Atua também como vice-presidente da indústria na ACIGRA, integra o comitê de lideranças femininas da FIERGS e é conselheira independente e mentora de protagonismo feminino.

Uma liderança que começa três gerações antes

A trajetória de Carol na FIMAC não pode ser entendida sem olhar para a história de imigração de sua família. Seu avô paterno, empresário influente na China, precisou deixar o país após a reforma comunista, que redistribuiu seus bens e encerrou seus negócios. Ele passou por Hong Kong e pelo Japão antes de vir para o Brasil, onde ajudou a construir um moinho de farinha em Canoas (RS), deixando para trás, temporariamente, sete filhos pequenos e a esposa.

Anos depois, o pai de Carol seguiu o mesmo caminho, trazendo a família para o Brasil em 1981. Foi nesse contexto que, em 1986, um grupo de sócios, incluindo o avô e o pai de Carol, adquiriu a FIMAC, então uma pequena operação em Porto Alegre com cerca de 30 funcionários.

Carol nasceu em 1983, cresceu em um ambiente trilíngue (chinês, japonês e português) e seguiu inicialmente a carreira acadêmica, chegando a cursar mestrado no Brasil com planos de doutorado na Alemanha.

Assumir a liderança em meio à dor

O ponto de virada veio de forma trágica. Em janeiro de 2010, o irmão mais velho de Carol, herdeiro natural da liderança da empresa, faleceu de linfoma. Meses depois, em setembro do mesmo ano, a mãe também faleceu, adoecida pela dor da perda do filho.

Diante do pai devastado, Carol tomou uma decisão movida, segundo ela, muito mais por empatia do que por planejamento: assumiria o legado da família. Ainda assim, tentou conciliar isso com a conclusão do doutorado, até que a crise econômica de 2015 no Brasil tornou a situação insustentável. Foi quando o pai, então com 74 anos, sinalizou que não teria mais fôlego para segurar a operação sozinho.

Carol voltou ao Brasil em agosto de 2015, nas palavras dela, “no olho do furacão”, para assumir definitivamente a liderança da FIMAC.

Liderar sob pressão: o que isso ensina

Um dos pontos mais fortes da conversa é a reflexão sobre como a liderança de Carol foi moldada sob pressão real: dívidas, fornecedores cobrando, clientes insatisfeitos e uma cultura industrial predominantemente masculina, onde ela precisou lidar tanto com o ceticismo do mercado quanto com o peso simbólico de ser vista como “a herdeira”, rótulo que, segundo ela, carrega mais cobrança do que privilégio.

Nesse mesmo período, engravidou de sua filha, acumulando a curva de aprendizado da gestão industrial com a maternidade recente, o que ela descreve como um dos fatores centrais do esgotamento da mulher moderna: múltiplas responsabilidades simultâneas, sem manual de instruções para nenhuma delas.

Autoconhecimento como base da liderança

O trecho mais emblemático da entrevista conecta diretamente com o propósito da Conexão IE: Carol relata que só conseguiu lidar com as crises externas quando passou por um processo de autoconhecimento, iniciado em um curso de liderança feminina anos antes de assumir a FIMAC.

Ela resume essa virada com uma frase que sintetiza bem o conceito de inteligência emocional aplicada à liderança: entender o que somos bons em fazer e o que não somos, sem insistir em “consertar” cada fraqueza, e sim buscar pessoas complementares para as lacunas, o oposto de tentar ser uma versão idealizada e genérica de “executiva de sucesso”.

Autocuidado físico e emocional na rotina de liderança

Carol também compartilha práticas concretas de regulação emocional: a prática de crossfit como válvula de escape mental, e até a presença de gatos no ambiente de trabalho da FIMAC, batizado internamente de “setor do bem-estar”, como forma de reduzir o estresse da equipe. Um lembrete simples e replicável: saúde mental e saúde física caminham juntas, e pequenos rituais de desconexão sustentam decisões melhores no dia a dia.

Conselho para mulheres em posições de liderança

Ao ser questionada sobre o que diria a mulheres iniciando sua jornada de liderança, Carol destaca dois pontos:

Ocupar o espaço em vez de esperar por ele: muitas mulheres aguardam serem “escolhidas” para uma oportunidade, em vez de se colocarem ativamente na posição.

Reconhecer a complementaridade entre estilos de liderança: sem hierarquizar entre “masculino” e “feminino”, mas valorizando como uma visão mais sistêmica e voltada ao cuidado (frequentemente associada à liderança feminina) complementa uma abordagem mais objetiva e orientada a números.

Indicação de leitura

Carol recomenda o livro A Coragem de Não Agradar, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, como leitura de apoio para lideranças, especialmente mulheres, que enfrentam o que ela chama de “síndrome da boazinha”: o medo de dizer não, de gerar conflito ou de serem rotuladas negativamente por afirmarem posições firmes.

Por que essa conversa importa para quem lidera hoje

A história de Carol Chiao ilustra, na prática, um princípio central que a Conexão IE defende em seu trabalho de desenvolvimento de lideranças: competências técnicas sustentam uma cadeira, mas são as competências socioemocionais (autoconhecimento, empatia, resiliência e autoconsciência) que sustentam uma liderança de verdade em momentos de crise. É a mesma lógica explorada no livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos, dos fundadores da Conexão IE, Alessandra Gonzaga e Marcelo do Carmo Rodrigues.

Perguntas frequentes

Quem é Carol Chiao?

Carol Chiao é CEO da FIMAC, empresa industrial gaúcha de usinagem, representante da segunda geração da família à frente do negócio, e referência em liderança feminina em ambientes industriais no Rio Grande do Sul.

Como Carol Chiao assumiu a liderança da FIMAC?

Ela assumiu após a morte do irmão, herdeiro original da liderança, em 2010, e consolidou a posição em 2015, durante uma forte crise econômica no Brasil, quando o pai já não conseguia sustentar sozinho a operação.

Qual a relação entre autoconhecimento e liderança, segundo o episódio?

A ideia central é que só é possível lidar bem com o caos externo (crises, pressão, decisões difíceis) quando existe um processo prévio de entendimento do próprio caos interno, ou seja, das próprias emoções, forças e limites.

Onde assistir ao episódio completo?

O episódio está disponível no canal da Conexão IE no YouTube, dentro da série de podcast Arena IE.

Este artigo foi produzido a partir do episódio do podcast Arena IE, apresentado por Alessandra Gonzaga, PhD, cofundadora da Conexão IE, escola de inteligência emocional dedicada a levar #maisIEnomundo.

Assista ao episódio completo: Arena IE: Carol Chiao, CEO da FIMAC (YouTube)

Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.

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