novembro 30, 2025
O cinismo emocionalmente inteligente
“Sou humano. E nada do que é humano me é estranho.” — Terêncio
Algo curioso tem acontecido comigo: uma mistura de exaustão e desconexão que, paradoxalmente, me levou a uma lucidez esperançosa. Exaustão com o que as redes sociais, especialmente o LinkedIn, se tornaram. E é justamente aqui, na rede que tantas vezes me trouxe desamparo, que venho falar sobre lucidez e sobre o tipo de presença que quero construir.
Tenho assistido ao que poderia ser uma das melhores ferramentas de conexão profissional se transformar num tablado para exibições vazias: textos produzidos por IA sem reflexão ou vínculo com a realidade, panfletarismos travestidos de profundidade, narrativas que mais parecem relatórios emocionais de performance moral. E muita, muita autopromoção.
Eu, que vivo e trabalho com autenticidade, empatia e sentido, me vi, ironicamente, cínica. É claro que reconheço o valor de nos posicionarmos, falarmos de nosso trabalho e compartilharmos experiências. É importante comentar, trocar e aprender com pessoas de nossa rede. De onde, então, vinha o desconforto?
Foi quando encontrei Hope for Cynics, de Jamil Zaki. A distinção que ele faz entre os small-c cynics (que duvidam de tudo e acreditam que nada vale a pena) e os big-C cynics (que se afastam dos padrões sociais para buscar verdade nas relações) me atravessou. Percebi que não era amargura, era desilusão lúcida. Não era desprezo, era vontade de se afastar do jogo de vaidades e me reconectar com pessoas de verdade.
Desde então, sinto essa fagulha persistente de esperança, inclusive e especialmente na relação com a IA e no modo como ela atravessa nossas trocas de texto e significado. Essa reflexão nasce desse encontro e é costurada pelas competências socioemocionais do livro Conectados.
Seguidores de Diógenes
Zaki relembra uma raiz quase esquecida: os kynikós, discípulos de Diógenes, não eram apenas rudes, irônicos ou contrários à sociedade. Eram, no fundo, radicalmente esperançosos. A própria palavra kynikós deriva de kyon, cão, e não por acaso muitas pinturas o retratam cercado de cães, símbolo da vida simples, sem ornamentos, e da recusa às convenções sociais. Eles acreditavam que as pessoas são naturalmente capazes de viver uma vida virtuosa e significativa, mas que o excesso de status, poder e ilusões sociais nos corrompe.
Conta-se que Diógenes, filho de um banqueiro grego que decidiu viver recluso em um grande vaso de cerâmica, caminhava pelas ruas com uma lamparina apontada para o rosto das pessoas, “em busca de uma pessoa honesta”. Como um mestre zen provocando discípulos a despertarem da ilusão das vaidades. Ele tinha fome de verdade, de relações honestas. No mundo de hoje, talvez fosse um grande influencer. Eu certamente o seguiria.
Os cínicos originais acreditavam que é possível viver em sociedade sem se corromper. Porém isso exige esforço, a partir de três movimentos centrais:
1. Autarkeia (autonomia e independência)
Pensar em autossuficiência parece privilégio de herdeiros ou bilionários. Mas não precisa ser assim. Podemos viver com autonomia a partir do alinhamento aos próprios valores e não às pressões do feed ou de postagens virais. No Conectados, chamamos isso de integridade.
2. Kosmopolitês (sentir-se como um cidadão do mundo)
Num cenário político polarizado, pensar de forma independente é virtude rara. Olhar para diferentes perspectivas sem nos capturar por narrativas fáceis é resultado de empatia cognitiva combinada à sociabilidade: duas competências da IE que sustentam relações nutridoras e maduras.
3. Philanthropia (consideração pelo bem-estar de outros)
O amor pela humanidade precisa reconhecer falhas, sombras e contradições das pessoas, e ainda acreditar na possibilidade de restauração e mudança. De que serviria falar sobre emoções negativas no trabalho (ansiedade, angústia, inveja, raiva, tristeza), se não fosse possível aprender com elas e depois construir trocas mais saudáveis? Para isso precisamos de otimismo, compaixão e coragem emocional.
E é aqui que encontrei meu lugar. Sem saber, sempre fui uma cínica clássica, intolerante à falsidade e ao jogo de cena porque acredito profundamente na potência das relações humanas.
O que isso tem a ver com meu trabalho? Tudo.
Certa vez, fechei um ciclo de teambuilding que atravessou muitos meses, em diferentes construções e entregas. O que surgiu no último encontro veio ao encontro de minha esperança cínica. E veio como consequência do que surgiu no primeiro encontro, quando uma das gestoras disse ao grupo:
“Espero que este seja um trabalho de verdade, não apenas mais um desses encontros onde todo mundo fala bonito e depois volta a jogar o mesmo jogo de sempre. Já vivi outros momentos assim. Preciso que dessa vez seja de verdade.”
Meses depois, no encerramento, pedi que cada pessoa entregasse ao grupo uma força. A mesma gestora escolheu honestidade. Ali, diante dessa palavra tão frágil e tão poderosa, percebi: a esperança cínica existe quando há uma troca honesta entre pessoas. E a verdade só aparece onde existe coragem emocional.
Talvez seja isso que eu venho cultivando há anos: espaços onde autenticidade é possível, onde perspectivas se ampliam sem reducionismo, onde humanos podem tentar novamente ser humanos. E isso não nasce de fotos perfeitas nem dos filtros das redes. Isso exige verdade.
Todo mundo quer ser rico? E será que isso é ruim?
Outro fenômeno que me chama atenção é a avalanche de conteúdos sobre ampliação de renda, bem como influenciadores ensinando a “se posicionar melhor” para garantir visibilidade e engajamento ou para vender estilo de vida e acessar públicos com maior poder de compra.
Até que, no meio da rolagem do feed, encontrei um corte do show do humorista Jimmy Carr. E mais uma vez a esperança cínica estava ali. Famoso por aproveitar os primeiros momentos de interação para trazer trocas muito inteligentes (no mínimo, inusitadas) com seu público, ele foi questionado se era um homem rico. Primeiro desconversou. Então veio com a frase que me pegou em cheio:
“Rico é quem, diante de muito dinheiro, consegue escolher fazer exatamente o que faz.”
Bingo. Isso é riqueza emocionalmente inteligente! É o princípio de autarkeia aplicado à vida adulta: viver com integridade, escolher o que fazemos e por que fazemos. E se nosso trabalho envolver pessoas, seja em liderança, mentoria, educação ou desenvolvimento, precisamos também de sociabilidade, empatia, compaixão, coragem e otimismo. Todas elas, competências de IE.
Onde entra a IA nisso tudo
Tenho conduzido workshops como “Entre Humanos e Algoritmos: a Inteligência Emocional na Era da IA” para instituições públicas e privadas. Fiquei encantada com a provocação. Desde a construção dos módulos, venho pesquisando intensamente como:
a IE se transforma na era algorítmica;
a IA pode ler e regular emoções;
e como os algoritmos podem nos ajudar a compreender melhor a nós mesmos.
Definitivamente, humanos e algoritmos não precisam estar em campos opostos. Quando utilizamos a IA para compreender nossos sentimentos e padrões comportamentais, podemos ampliar possibilidades e gerar novas perspectivas sobre o que somos. Partindo dessa premissa, eu e Marcelo do Carmo Rodrigues, MSc e MA, que já assina comigo o livro Conectados, percebemos que estamos falando de uma expansão de competências socioemocionais, que estamos chamando de IE Generativa, ou simplesmente IE Gen. O conceito me parece tão apaixonante que não se esgota em artigos ou cursos, razão pela qual estamos escrevendo um livro a respeito, a ser lançado pela Editora da Conexão IE.
O encontro entre humanos e algoritmos está remodelando quem somos. Precisamos, urgentemente, de uma inteligência emocional capaz de lidar com o novo campo relacional das trocas presenciais, híbridas e digitais.
O que é Inteligência Emocional Generativa?
Esse é um conceito novo e autoral, que eu e Marcelo do Carmo construímos a partir de nossa experiência no desenvolvimento de competências socioemocionais. Ela não é uma inteligência emocional “2.0”. Também não é uma técnica ou manual de sobrevivência digital. Essa é uma IE capaz de gerar dialógica: o tipo de relação que cria sentido e produz consciência, que expande o humano em vez de reduzi-lo.
A IE Generativa é uma capacidade socioemocional que produz dialógica, algo que surge a partir do diálogo, sem a ele se limitar. Dialógica é a relação que cria sentido a partir da troca e compartilhamento de ideias. Assim, por meio das interações e percepções construídas em profundidade, a IE Gen permite transformação e expansão da consciência emocional e relacional.
Se a IE clássica nos ensinou a reconhecer sentimentos, regular emoções e construir vínculos, a IE Generativa nos convida a:
criar novas formas de pensar, não apenas reagir;
reconhecer padrões emocionais compartilhados entre humanos e sistemas algorítmicos;
usar a relação com a IA como espelho, não como muleta;
produzir sentido onde antes havia apenas informação;
transformar diálogo em campo criativo.
É esse conceito que dá forma ao nosso próximo livro. E talvez ele exista justamente porque, em meio ao meu cansaço com as redes e à minha lucidez cínica diante dos teatros contemporâneos, encontrei, de forma inesperada, a esperança.
Meu posicionamento nas redes e um convite
Depois de muito resistir à personalização das redes, compreendi que a integridade também exige presença. Meu posicionamento digital não é estratégia, é continuidade do meu processo de individuação. É tornar público aquilo que já é verdade em mim há anos: a paixão por ensinar, facilitar, orientar líderes, provocar reflexão e construir relações honestas.
Assim, meu site pessoal se expande e aponta novos rumos. Atualmente ele está direcionado para mim como palestrante, algo que tem me dado muita alegria e que resgata a comunicadora que sou. Mas em breve trará também destaque a meus trabalhos como mentora de líderes e facilitadora de times organizacionais. Continuo entregando tudo o que sou pela Conexão IE, porém agora com uma presença mais clara e intencional nas diferentes redes.
No LinkedIn, quero dialogar com líderes buscando maturidade emocional e riqueza real, aquela que permite escolher o que fazemos e por quê. No Instagram e TikTok, quero me aproximar de pessoas que, mesmo fora dos conselhos e do topo das corporações, carregam a mesma pergunta: como viver com mais verdade e menos teatro?
Se você também anda cansado das redes, mas não desistiu das pessoas, talvez possamos caminhar juntos. Afinal, a esperança cínica, essa que aprendi com Diógenes, com Zaki e com pessoas como essa gestora tão especial que mencionei, não é uma esperança ingênua. É uma esperança lúcida. É a coragem de procurar humanidade mesmo quando o mundo nos parece um teatro. É olhar para o outro com a lamparina acesa, mesmo sabendo que as máscaras existem, em busca da honestidade que nos habita. E ficar feliz, muito feliz, quando a encontramos.
É isso que quero construir daqui para frente: menos performance, mais presença. Menos ruído, mais sentido. Menos filtros, mais verdade. Lanternas acesas, mentes e corações despertos, procurando humanidade na face de quem passa em nossa vida. E também no nosso feed.
Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn por Alessandra Gonzaga, Ph.D., cofundadora da Conexão IE.
Leia o artigo original: [O cinismo emocionalmente inteligente (LinkedIn)](link do artigo) Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.
O cinismo emocionalmente inteligente
“Sou humano. E nada do que é humano me é estranho.” — Terêncio
Algo curioso tem acontecido comigo: uma mistura de exaustão e desconexão que, paradoxalmente, me levou a uma lucidez esperançosa. Exaustão com o que as redes sociais, especialmente o LinkedIn, se tornaram. E é justamente aqui, na rede que tantas vezes me trouxe desamparo, que venho falar sobre lucidez e sobre o tipo de presença que quero construir.
Tenho assistido ao que poderia ser uma das melhores ferramentas de conexão profissional se transformar num tablado para exibições vazias: textos produzidos por IA sem reflexão ou vínculo com a realidade, panfletarismos travestidos de profundidade, narrativas que mais parecem relatórios emocionais de performance moral. E muita, muita autopromoção.
Eu, que vivo e trabalho com autenticidade, empatia e sentido, me vi, ironicamente, cínica. É claro que reconheço o valor de nos posicionarmos, falarmos de nosso trabalho e compartilharmos experiências. É importante comentar, trocar e aprender com pessoas de nossa rede. De onde, então, vinha o desconforto?
Foi quando encontrei Hope for Cynics, de Jamil Zaki. A distinção que ele faz entre os small-c cynics (que duvidam de tudo e acreditam que nada vale a pena) e os big-C cynics (que se afastam dos padrões sociais para buscar verdade nas relações) me atravessou. Percebi que não era amargura, era desilusão lúcida. Não era desprezo, era vontade de se afastar do jogo de vaidades e me reconectar com pessoas de verdade.
Desde então, sinto essa fagulha persistente de esperança, inclusive e especialmente na relação com a IA e no modo como ela atravessa nossas trocas de texto e significado. Essa reflexão nasce desse encontro e é costurada pelas competências socioemocionais do livro Conectados.
Seguidores de Diógenes
Zaki relembra uma raiz quase esquecida: os kynikós, discípulos de Diógenes, não eram apenas rudes, irônicos ou contrários à sociedade. Eram, no fundo, radicalmente esperançosos. A própria palavra kynikós deriva de kyon, cão, e não por acaso muitas pinturas o retratam cercado de cães, símbolo da vida simples, sem ornamentos, e da recusa às convenções sociais. Eles acreditavam que as pessoas são naturalmente capazes de viver uma vida virtuosa e significativa, mas que o excesso de status, poder e ilusões sociais nos corrompe.
Conta-se que Diógenes, filho de um banqueiro grego que decidiu viver recluso em um grande vaso de cerâmica, caminhava pelas ruas com uma lamparina apontada para o rosto das pessoas, “em busca de uma pessoa honesta”. Como um mestre zen provocando discípulos a despertarem da ilusão das vaidades. Ele tinha fome de verdade, de relações honestas. No mundo de hoje, talvez fosse um grande influencer. Eu certamente o seguiria.
Os cínicos originais acreditavam que é possível viver em sociedade sem se corromper. Porém isso exige esforço, a partir de três movimentos centrais:
1. Autarkeia (autonomia e independência)
Pensar em autossuficiência parece privilégio de herdeiros ou bilionários. Mas não precisa ser assim. Podemos viver com autonomia a partir do alinhamento aos próprios valores e não às pressões do feed ou de postagens virais. No Conectados, chamamos isso de integridade.
2. Kosmopolitês (sentir-se como um cidadão do mundo)
Num cenário político polarizado, pensar de forma independente é virtude rara. Olhar para diferentes perspectivas sem nos capturar por narrativas fáceis é resultado de empatia cognitiva combinada à sociabilidade: duas competências da IE que sustentam relações nutridoras e maduras.
3. Philanthropia (consideração pelo bem-estar de outros)
O amor pela humanidade precisa reconhecer falhas, sombras e contradições das pessoas, e ainda acreditar na possibilidade de restauração e mudança. De que serviria falar sobre emoções negativas no trabalho (ansiedade, angústia, inveja, raiva, tristeza), se não fosse possível aprender com elas e depois construir trocas mais saudáveis? Para isso precisamos de otimismo, compaixão e coragem emocional.
E é aqui que encontrei meu lugar. Sem saber, sempre fui uma cínica clássica, intolerante à falsidade e ao jogo de cena porque acredito profundamente na potência das relações humanas.
O que isso tem a ver com meu trabalho? Tudo.
Certa vez, fechei um ciclo de teambuilding que atravessou muitos meses, em diferentes construções e entregas. O que surgiu no último encontro veio ao encontro de minha esperança cínica. E veio como consequência do que surgiu no primeiro encontro, quando uma das gestoras disse ao grupo:
“Espero que este seja um trabalho de verdade, não apenas mais um desses encontros onde todo mundo fala bonito e depois volta a jogar o mesmo jogo de sempre. Já vivi outros momentos assim. Preciso que dessa vez seja de verdade.”
Meses depois, no encerramento, pedi que cada pessoa entregasse ao grupo uma força. A mesma gestora escolheu honestidade. Ali, diante dessa palavra tão frágil e tão poderosa, percebi: a esperança cínica existe quando há uma troca honesta entre pessoas. E a verdade só aparece onde existe coragem emocional.
Talvez seja isso que eu venho cultivando há anos: espaços onde autenticidade é possível, onde perspectivas se ampliam sem reducionismo, onde humanos podem tentar novamente ser humanos. E isso não nasce de fotos perfeitas nem dos filtros das redes. Isso exige verdade.
Todo mundo quer ser rico? E será que isso é ruim?
Outro fenômeno que me chama atenção é a avalanche de conteúdos sobre ampliação de renda, bem como influenciadores ensinando a “se posicionar melhor” para garantir visibilidade e engajamento ou para vender estilo de vida e acessar públicos com maior poder de compra.
Até que, no meio da rolagem do feed, encontrei um corte do show do humorista Jimmy Carr. E mais uma vez a esperança cínica estava ali. Famoso por aproveitar os primeiros momentos de interação para trazer trocas muito inteligentes (no mínimo, inusitadas) com seu público, ele foi questionado se era um homem rico. Primeiro desconversou. Então veio com a frase que me pegou em cheio:
“Rico é quem, diante de muito dinheiro, consegue escolher fazer exatamente o que faz.”
Bingo. Isso é riqueza emocionalmente inteligente! É o princípio de autarkeia aplicado à vida adulta: viver com integridade, escolher o que fazemos e por que fazemos. E se nosso trabalho envolver pessoas, seja em liderança, mentoria, educação ou desenvolvimento, precisamos também de sociabilidade, empatia, compaixão, coragem e otimismo. Todas elas, competências de IE.
Onde entra a IA nisso tudo
Tenho conduzido workshops como “Entre Humanos e Algoritmos: a Inteligência Emocional na Era da IA” para instituições públicas e privadas. Fiquei encantada com a provocação. Desde a construção dos módulos, venho pesquisando intensamente como:
a IE se transforma na era algorítmica;
a IA pode ler e regular emoções;
e como os algoritmos podem nos ajudar a compreender melhor a nós mesmos.
Definitivamente, humanos e algoritmos não precisam estar em campos opostos. Quando utilizamos a IA para compreender nossos sentimentos e padrões comportamentais, podemos ampliar possibilidades e gerar novas perspectivas sobre o que somos. Partindo dessa premissa, eu e Marcelo do Carmo Rodrigues, MSc e MA, que já assina comigo o livro Conectados, percebemos que estamos falando de uma expansão de competências socioemocionais, que estamos chamando de IE Generativa, ou simplesmente IE Gen. O conceito me parece tão apaixonante que não se esgota em artigos ou cursos, razão pela qual estamos escrevendo um livro a respeito, a ser lançado pela Editora da Conexão IE.
O encontro entre humanos e algoritmos está remodelando quem somos. Precisamos, urgentemente, de uma inteligência emocional capaz de lidar com o novo campo relacional das trocas presenciais, híbridas e digitais.
O que é Inteligência Emocional Generativa?
Esse é um conceito novo e autoral, que eu e Marcelo do Carmo construímos a partir de nossa experiência no desenvolvimento de competências socioemocionais. Ela não é uma inteligência emocional “2.0”. Também não é uma técnica ou manual de sobrevivência digital. Essa é uma IE capaz de gerar dialógica: o tipo de relação que cria sentido e produz consciência, que expande o humano em vez de reduzi-lo.
A IE Generativa é uma capacidade socioemocional que produz dialógica, algo que surge a partir do diálogo, sem a ele se limitar. Dialógica é a relação que cria sentido a partir da troca e compartilhamento de ideias. Assim, por meio das interações e percepções construídas em profundidade, a IE Gen permite transformação e expansão da consciência emocional e relacional.
Se a IE clássica nos ensinou a reconhecer sentimentos, regular emoções e construir vínculos, a IE Generativa nos convida a:
criar novas formas de pensar, não apenas reagir;
reconhecer padrões emocionais compartilhados entre humanos e sistemas algorítmicos;
usar a relação com a IA como espelho, não como muleta;
produzir sentido onde antes havia apenas informação;
transformar diálogo em campo criativo.
É esse conceito que dá forma ao nosso próximo livro. E talvez ele exista justamente porque, em meio ao meu cansaço com as redes e à minha lucidez cínica diante dos teatros contemporâneos, encontrei, de forma inesperada, a esperança.
Meu posicionamento nas redes e um convite
Depois de muito resistir à personalização das redes, compreendi que a integridade também exige presença. Meu posicionamento digital não é estratégia, é continuidade do meu processo de individuação. É tornar público aquilo que já é verdade em mim há anos: a paixão por ensinar, facilitar, orientar líderes, provocar reflexão e construir relações honestas.
Assim, meu site pessoal se expande e aponta novos rumos. Atualmente ele está direcionado para mim como palestrante, algo que tem me dado muita alegria e que resgata a comunicadora que sou. Mas em breve trará também destaque a meus trabalhos como mentora de líderes e facilitadora de times organizacionais. Continuo entregando tudo o que sou pela Conexão IE, porém agora com uma presença mais clara e intencional nas diferentes redes.
No LinkedIn, quero dialogar com líderes buscando maturidade emocional e riqueza real, aquela que permite escolher o que fazemos e por quê. No Instagram e TikTok, quero me aproximar de pessoas que, mesmo fora dos conselhos e do topo das corporações, carregam a mesma pergunta: como viver com mais verdade e menos teatro?
Se você também anda cansado das redes, mas não desistiu das pessoas, talvez possamos caminhar juntos. Afinal, a esperança cínica, essa que aprendi com Diógenes, com Zaki e com pessoas como essa gestora tão especial que mencionei, não é uma esperança ingênua. É uma esperança lúcida. É a coragem de procurar humanidade mesmo quando o mundo nos parece um teatro. É olhar para o outro com a lamparina acesa, mesmo sabendo que as máscaras existem, em busca da honestidade que nos habita. E ficar feliz, muito feliz, quando a encontramos.
É isso que quero construir daqui para frente: menos performance, mais presença. Menos ruído, mais sentido. Menos filtros, mais verdade. Lanternas acesas, mentes e corações despertos, procurando humanidade na face de quem passa em nossa vida. E também no nosso feed.
Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn por Alessandra Gonzaga, Ph.D., cofundadora da Conexão IE.
Leia o artigo original:https://www.linkedin.com/pulse/o-cinismo-emocionalmente-inteligente-alessandra-gonzaga-ph-d–hpvmf/ Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.
Deixe um comentário