dezembro 23, 2024

Conexões que nutrem

Períodos de celebração e encontro, seja ao redor da mesa ou no cotidiano da vida, nos convidam a revisitar as dinâmicas de nossas relações. Algumas nos inspiram e fortalecem, enquanto outras nos desafiam emocionalmente. Por isso, vale a pena refletir sobre as “nutrições” que recebemos e oferecemos, tanto em nossas conexões com os outros quanto em nosso relacionamento com nós mesmos. Assim como escolhemos cuidadosamente os pratos de uma boa ceia, também podemos escolher as relações que verdadeiramente alimentam nossa alma.

Neste artigo, convido você a explorar um tema fundamental: o que são relações nutridoras, como identificar aquelas que drenam nossas energias e, principalmente, como lidar com elas para preservar seu bem-estar emocional.

O que é uma relação nutridora?

Pense na pessoa com quem você pode ser completamente você, sem máscaras. Ela ouve com atenção, oferece apoio genuíno e é honesta, mas sempre com respeito. Relações nutridoras têm características como:

Reciprocidade: há troca equilibrada entre dar e receber.

Apoio emocional: você se sente seguro para compartilhar suas vulnerabilidades.

Respeito: suas opiniões, escolhas e emoções são valorizadas.

Motivação mútua: essa relação te inspira a ser melhor sem exigir perfeição.

Essas relações, ao nutrirem a alma, também nos ajudam a construir uma vida mais plena e equilibrada. Por outro lado, uma relação tóxica é marcada por padrões que drenam sua energia, aumentam a insegurança e trazem sofrimento emocional. E como identificar relações tóxicas? Esses padrões podem incluir:

Críticas constantes ou manipulação: suas escolhas e sentimentos são invalidados.

Competitividade exagerada: a outra pessoa sente necessidade de “ganhar” ou diminuir seus feitos.

Ausência de empatia: você se sente sozinho, mesmo na presença dela.

Abuso emocional: palavras ou ações que minam sua autoestima.

Lembre-se: todas as relações têm desafios, e todos nós podemos ter dias ruins em que não somos boa companhia nem para nós mesmos, mas o que caracteriza uma relação tóxica é a constância e intensidade desses padrões negativos.

Empatia e assertividade

Se as relações nutridoras nos trazem a sensação de conexão e acolhimento emocional, e as relações tóxicas promovem emoções aflitivas e sofrimento, o que fazer para promover o primeiro tipo e evitar o segundo? A resposta tem a ver com manter a abertura ao outro enquanto mantemos nosso autocuidado e equilíbrio emocional. Para isso, duas habilidades socioemocionais são fundamentais e complementares: empatia e assertividade.

Empatia tem a ver com entrar em contato com o momento do outro, sentir a partir da perspectiva que cada pessoa traz. Ela nos permite ouvir sem julgamento e garante que tenhamos a mente aberta a formas de ver o mundo com as quais não estamos familiarizados ou até mesmo não concordamos.

Já a assertividade é a habilidade de expressar as próprias necessidades, sentimentos e opiniões de maneira clara e respeitosa. Quando praticamos a assertividade, enviamos uma mensagem clara ao outro: “Eu me respeito, e respeito você”. Empatia e assertividade andam juntas e contribuem para nos sentirmos bem enquanto partilhamos a companhia de outras pessoas.

Aqui estão algumas maneiras de usar a empatia e a assertividade para favorecer relações saudáveis:

Ouça sem precisar interagir: nem tudo que escutamos precisa de réplica, comentário ou sugestão de solução. O bom ouvinte é alguém agradável por existir!

Diga o que sente e precisa: não espere que os outros adivinhem seus sentimentos ou desejos, expresse sua necessidade da forma mais clara possível, sem precisar pedir desculpas por isso.

Estabeleça limites sem culpa: é justo recusar convites ou propostas que não se alinhem ao seu bem-estar. Isso vale para bebidas, comidas e qualquer assunto que se torne invasivo.

Escolha o diálogo: busque o equilíbrio entre ouvir e ser ouvido. Lembre-se que comunicar significa dizer algo que tenha sentido a quem escuta e promova novas perspectivas que não imaginávamos antes da conversa acontecer.

Um brinde ao bem-estar compartilhado

Enquanto compartilhamos a mesa com pessoas queridas, vale refletir sobre o que estamos “oferecendo” emocionalmente. Que suas relações sejam como uma ceia bem-preparada: recheadas de carinho, equilíbrio e amor mútuo, nutrindo nossos corações.

Que possamos seguir mais conscientes de quem somos e do que realmente importa. Porque, no final, as relações que nos nutrem são os alicerces que sustentam nossos melhores dias.

Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn por Alessandra Gonzaga, Ph.D., em parceria com sua filha Luiza Gonzaga do Carmo, cofundadora da Conexão IE.

Leia o artigo original: https://www.linkedin.com/pulse/conex%C3%B5es-que-nutrem-alessandra-gonzaga-ph-d–3tmif/ Continue a jornada: conheça a Academia IE, o podcast Arena IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.

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