março 6, 2023

Competências para a tomada de decisão

O tema tomada de decisão costuma vir à tona diversas vezes em processos de desenvolvimento de lideranças. Em um ambiente de elevada complexidade e incerteza, as decisões se tornam mais difíceis, e nem sempre teremos todos os dados necessários para avaliar as diferentes escolhas possíveis. E, mesmo havendo dados, pode não haver um caminho que contente de forma equilibrada todas as partes interessadas na decisão.

Lembro-me algumas vezes do tempo em que fui instrutor de prêmios de gestão. Aqui na Conexão IE, com minha sócia Alessandra, temos uma anedota interna: líderes não são pessoas. Explico. Nos critérios de excelência de gestão, a liderança costuma ser tratada em um critério à parte da gestão das demais pessoas da organização. Há interesse em destacar as práticas de desenvolvimento de competências de liderança.

Qual o principal motivo disso? As principais decisões que orbitam o posicionamento estratégico e o planejamento operacional são tomadas pelos líderes dos maiores níveis hierárquicos. É preciso analisar não apenas o desenvolvimento desses líderes, mas a forma com que tais decisões são tomadas e seus resultados avaliados, evidenciando haver aprendizado no processo de gestão no mais alto nível decisório das organizações.

Quando começamos os treinamentos de competências socioemocionais para líderes, nos baseávamos na tríade autoridade, responsabilidade e propriedade (em inglês accountability) dos líderes. Destaco principalmente esse último elemento, para o qual não existe bem um correspondente em nosso vocabulário. A melhor forma com que conseguimos traduzir é o fato de que o líder tem que se apropriar das consequências, boas ou más, de suas decisões ou omissões. Em última análise, é ele quem “paga a conta” ou “recebe os louros” das consequências das decisões, por mais que sejam compartilhadas ou delegadas a pessoas sob sua gestão.

O certo é que, em condições normais, muitas vezes um líder e sua equipe vão errar ou tomar decisões subótimas, faz parte da racionalidade limitada inerente a todo ser humano. Principalmente os líderes mais jovens podem não ter sido treinados, ao longo de sua jornada pessoal e profissional, a lidar com erros e a transformá-los em oportunidades de aprendizado e crescimento. Por isso falamos tanto na necessidade de desenvolver um ambiente de segurança psicológica nas organizações.

Mas há outras medidas que o interessado no desenvolvimento de competências para tomada de decisão pode buscar. Destaco algumas:

1. Conhecer os processos individuais e coletivos de tomada de decisão de seus líderes e sua organização. Recomendo o estudo e reflexão sobre os temas trazidos por Daniel Kahneman em seus livros Pensando Rápido e Devagar e Ruído. Vale também uma passada por Richard Thaler em Misbehaving e Nudge.

2. Considere utilizar a abordagem de Liderança Situacional, de Paul Hersey e Ken Blanchard, para desenvolvimento de competências de tomada de decisão em membros de sua equipe. Esqueça tarefas: foque na tomada de decisões. A Matriz RACI pode ajudar a identificar prioridades de desenvolvimento.

3. Desenvolva resiliência organizacional: prepare sua equipe para ter autonomia na tomada de decisão, utilizando técnicas como planejamento de contingências, jogos de guerra e outras abordagens de projeção de cenários.

4. Considere processos de facilitação executiva e team building para desenvolvimento de competências socioemocionais para tomada de decisão e promoção de confiança e colaboração em decisões compartilhadas.

Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn por Marcelo do Carmo Rodrigues, MSc e MA, cofundador da Conexão IE.

Leia o artigo original: https://www.linkedin.com/pulse/compet%C3%AAncias-para-tomada-de-decis%C3%A3o-marcelo-do-carmo-rodrigues-msc/ Continue a jornada: conheça a Academia IE e o podcast Arena IE.

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