setembro 23, 2026

Carreiras IE: Tatiane Chilo e o RH que senta à mesa da estratégia

Quando o RH escolhe a pessoa

Paulistana e psicóloga de formação, Tatiane entrou na faculdade por volta de 2007, aos 17 anos, com o plano de atender crianças e adolescentes em consultório. Ainda no primeiro ano, foi selecionada para uma vaga em RH de uma multinacional americana, mesmo sendo a candidata mais nova e a única sem experiência. Por isso, ela costuma dizer que foi o RH que a escolheu. Começou em recrutamento e seleção, passou por desenvolvimento, comunicação e eventos e ficou cinco anos na empresa. Depois vieram dez anos em uma multinacional francesa, onde se tornou generalista, a mudança para o Rio Grande do Sul em 2019 e a chegada à PALFINGER em 2022. Uma dica prática do episódio: mesmo na empresa francesa, o idioma de trabalho era o inglês, pré-requisito para quem quer atuar em multinacionais.

Do operacional ao estratégico

No início da carreira de Tatiane, o RH era basicamente processo: pagar salários em dia, administrar benefícios e cuidar das pessoas, uma responsabilidade que pouco passava pelos líderes. Departamento pessoal e desenvolvimento eram áreas separadas, que não conversavam com a jornada de carreira do colaborador. Hoje, segundo ela, o papel do RH é potencializar o negócio por meio das pessoas, o que significa estar junto do board discutindo estratégia e estrutura para os próximos anos.

Sucessão como sustentabilidade do negócio

Para Tatiane, o planejamento de carreira começa no recrutamento, quando a empresa olha ao mesmo tempo para a necessidade atual e para onde pretende chegar. A partir daí entram as trilhas de desenvolvimento para coordenadores, líderes e executivos e o trabalho de carreira e sucessão, que ela considera o grande ponto de sustentabilidade do negócio. É a lógica do pipeline de liderança: preparar o caminho de cada executivo para que ele também deixe alguém pronto no seu lugar.

Gerações diferentes no mesmo ambiente

Com quatro ou cinco gerações convivendo no trabalho, o desafio é entender o que atrai e retém os mais jovens, já que o que sustentou longas carreiras no passado não é necessariamente o que motiva quem chega agora. Na visão de Tatiane, o caminho não é adaptar a organização a cada mudança, e sim criar ambientes favoráveis, alinhados aos valores e à cultura da empresa, para que todas as gerações trabalhem juntas.

Do estresse ao burnout

Alessandra lembra que, por volta de 2010, estresse era sinônimo de trabalhar demais. Hoje, a sobrecarga continua presente, mas há um componente mental mais profundo. Ao resgatar a Síndrome Geral de Adaptação, ela alerta que a fase de resistência não é um bom sinal: é quando a pessoa deixa de perceber os alarmes do corpo, como fome, sede e sono ruim. Tatiane observa que o burnout é o que mais aparece nas organizações, alimentado pela cobrança de dar conta de tudo. As duas destacam também o cinismo, a sensação de que nada adianta, e apontam o resgate do propósito como parte do caminho de volta.

Redes sociais e a comparação constante

Tatiane aponta as mídias digitais como um fator importante desse esgotamento. Do sofá de casa, é possível acompanhar a vida de todo mundo, quase sempre em sua melhor versão. Sem maturidade emocional para entender que ali aparece só o lado bom, surgem a autocobrança, a sensação de não ser suficiente e, muitas vezes, quadros de ansiedade.

Propósito não tem idade

Alessandra conecta a conversa à sua tese sobre o modelo de carreira caleidoscópica, que associava a busca por autenticidade principalmente a quem já passou dos 40. Na prática, jovens de 20 e poucos anos chegam às empresas perguntando o que estão ajudando a construir. Propósito e autenticidade deixaram de pertencer a uma faixa etária.

A escuta como ferramenta de gestão

Para Tatiane, a escuta é uma das ferramentas de gestão mais poderosas do RH, desde que se entenda que escutar não é concordar com tudo, e sim considerar diferentes perspectivas de quem convive no mesmo ambiente. Ela resume com uma frase bem-humorada: todo problema tem três versões, a minha, a sua e o que realmente aconteceu. O tema dialoga com a Travessia da Escuta, novo projeto da Conexão IE.

IA para otimizar processos, não para substituir pessoas

Entre os temas que ocupam a agenda de Tatiane estão manter o RH conectado à estratégia e integrar a inteligência artificial a esse movimento. Para ela, a IA já otimiza processos operacionais, mas o olhar sobre o outro, a influência dos líderes e a capacidade de potencializar o negócio por meio das pessoas continuam sendo trabalho humano.

O conselho para quem quer entrar no RH

A principal dica de Tatiane para estudantes e profissionais interessados na área é ter e demonstrar vontade. Técnicas de recrutamento, entrevista e estratégia podem ser ensinadas dentro da empresa. A vontade de estar ali e de construir uma carreira, não.

Perguntas frequentes

Quem é Tatiane Chilo?

Psicóloga e executiva de recursos humanos da PALFINGER Brasil, com responsabilidade sobre a área de RH na América Latina e atuação em desenvolvimento de lideranças, cultura organizacional e atração de talentos.

O que é RH estratégico, segundo o episódio?

É o RH que participa das decisões de negócio ao lado da alta liderança e tem como papel potencializar os resultados da empresa por meio das pessoas, e não apenas executar processos.

O que é pipeline de liderança?

É o processo contínuo de preparar profissionais para assumir posições de liderança, de modo que cada executivo desenvolva alguém capaz de sucedê-lo.

A inteligência artificial vai substituir o RH?

Na visão de Tatiane Chilo, não. A IA otimiza processos operacionais, mas o desenvolvimento humano e a influência dos líderes seguem dependendo de pessoas.

Onde acompanhar os próximos episódios do Carreiras IE?

No canal da Conexão IE no YouTube, dentro da série de podcast Arena IE.

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Este artigo foi produzido a partir do episódio do quadro Carreiras IE, apresentado por Alessandra Gonzaga, com a participação de Tatiane Chilo.

Assista ao episódio completo: ▶ Assista ao episódio completo no YouTube

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