setembro 14, 2026
Reinvenção constante: a trajetória de Gigi Fauri, da publicidade às “Dicas da Gigi”
Uma trajetória construída em ciclos
Gigi descreve sua carreira como uma sucessão de reinvenções: começou em relações públicas, migrou para publicidade após um trabalho acadêmico virar campanha real contra a fome, atuou 15 anos em agências atendendo grandes contas de telefonia, e então se tornou estilista, com loja própria por 15 anos no Shopping Iguatemi de Porto Alegre. Cada mudança, segundo ela, veio de um “sinal” percebido no momento certo, não de um plano rígido de carreira.
O nascimento do Dicas da Gigi
O projeto que a tornou referência em comunicação digital nasceu de forma orgânica: como lojista atenta ao movimento do shopping em um período de baixa (2013/2014, quando 19 lojas fecharam no local), Gigi começou a compartilhar dicas de produtos de outras lojas, inclusive concorrentes, em uma página de Facebook. O gesto despretensioso de ajudar acabou gerando visibilidade, primeiro local, depois em rádio e TV, consolidando-a como comunicadora digital antes mesmo desse termo ser comum no mercado.
Comunicadora, não influenciadora
Gigi marca uma distinção importante entre os dois papéis: se considera comunicadora digital, com formação técnica na área, e não influenciadora no sentido raso do termo. Ela critica a exposição de estilos de vida artificialmente construídos (jatinhos alugados, viagens luxuosas encenadas) como fonte de comparação social nociva, especialmente entre jovens que não distinguem realidade de encenação, um fenômeno que ela associa ao aumento de ansiedade e sentimentos de inadequação.
Autenticidade como diferencial prático
Em contraste com essa estética artificial, Gigi descreve sua presença nas redes como deliberadamente sem filtros, maquiagem ou produção excessiva, buscando proximidade real com o público. Ela também evita se posicionar publicamente sobre temas polarizadores como política, por entender que esse tipo de exposição gera desgaste emocional desproporcional ao benefício, preferindo, em suas palavras, “ir pelas beiradas”.
Ansiedade como desafio pessoal reconhecido
Questionada sobre suas próprias dificuldades emocionais, Gigi identifica a ansiedade como seu principal ponto de atenção, atenuado com a maturidade, mas ainda presente. Ela relata como um período recente de férias foi usado deliberadamente para desacelerar o ritmo de postagens e se reconectar consigo mesma, reconhecendo a importância de pausas reais de desconexão digital para preservar o próprio equilíbrio emocional.
Experiências de infância que moldaram a autonomia adulta
Gigi credita parte de sua autoconfiança a experiências marcantes na infância e juventude, como uma viagem de 17 dias à Disney aos oito anos, sem contato constante com a família, e períodos de intercâmbio na Inglaterra. Ela defende que esse tipo de experiência de autonomia precoce, dentro de limites de segurança, contribui para o desenvolvimento de maturidade e confiança.
Reconhecer o momento certo da oportunidade
Ao relatar como decidiu abrir sua própria marca de roupas, décadas depois de, ainda criança, dizer que um dia teria uma loja, Gigi reflete sobre a importância de reconhecer e agir sobre oportunidades quando elas surgem, mesmo que pareçam desconectadas de um plano original.
O conselho final: reinvente-se
Ao encerrar, Gigi resume sua visão de carreira: ser genuinamente quem se é e não temer se reinventar, mesmo depois de anos investidos em uma formação ou área específica. Para ela, a vida profissional não precisa seguir uma linha reta definida cedo demais.
Perguntas frequentes
Quem é Gigi Fauri? É Georgiana Fauri, comunicadora digital, uma das pioneiras no uso profissional de redes sociais no Rio Grande do Sul, criadora do projeto Dicas da Gigi, com passagens por relações públicas, publicidade e empreendedorismo de moda.
Qual a diferença entre “influenciadora” e “comunicadora digital”, segundo Gigi? Para ela, a diferença está na formação técnica e na autenticidade da presença online, em contraste com conteúdos construídos artificialmente para parecer um estilo de vida que nem sempre corresponde à realidade.
Por que a comparação social nas redes é um risco, segundo o episódio? Porque conteúdos que retratam estilos de vida artificiais podem gerar sentimentos de inadequação, frustração e ansiedade em quem consome esse conteúdo sem perceber que muitas vezes não reflete a realidade de quem posta.
Onde assistir ao episódio completo? No canal da Conexão IE no YouTube, na série de podcast Carreiras IE.
Este artigo foi produzido a partir do episódio Carreiras IE, apresentado por Camila Defaveri.
Assista ao episódio completo: https://www.youtube.com/watch?v=GugzBJ_fHDo&t=2s Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.
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