junho 19, 2026

Liderar é ouvir: a trajetória de Daniela Raad à frente da Federação Israelita do RS

Do direito como ferramenta à liderança institucional

Daniela conta que sua entrada no direito foi quase natural, influenciada pelos irmãos mais velhos que já seguiam a área. Ela descreve o direito como uma “caixa de ferramentas” que permite atuar em múltiplas frentes, embora reconheça que essa formação jurídica também impõe um recorte específico de olhar para o mundo, complementado mais tarde por uma visão voltada a negócios.

Sua trajetória na Federação Israelita começou ainda aos 20 anos, como voluntária, passando por diretoria e vice-presidência antes de assumir a presidência da instituição, com 65 anos de história.

O que muda quando se assume a liderança

Um dos pontos centrais da conversa é a reflexão de Daniela sobre como a liderança muda radicalmente a forma de decidir: sair de uma posição de apoio, onde é natural defender uma opinião própria, para uma posição em que a responsabilidade principal passa a ser ouvir múltiplas vozes antes de agir. Ela descreve a liderança como um lugar “solitário”, mesmo cercada por uma boa equipe, porque a responsabilidade final da decisão recai sobre quem lidera.

Conciliar gerações sem apagar o que veio antes

Ao assumir a presidência à frente de uma equipe jovem, Daniela evita a lógica de ruptura entre gerações. Para ela, o desafio real está em desapegar do poder de decisão para abrir espaço a quem chega, sem descartar o que já foi construído ao longo de décadas. Ela usa a imagem de “tijolos”: cada geração acrescenta uma camada sobre a anterior, em vez de recomeçar do zero.

Tolerância à divergência como competência socioemocional

Um dos trechos mais fortes da conversa trata da perda progressiva da capacidade de tolerar opiniões diferentes, especialmente amplificada pelas redes sociais. Daniela descreve isso como algo que fere e agride, quando na verdade deveria ser natural: ouvir uma posição com a qual não se concorda, sem tratar a divergência como ataque pessoal. Esse ponto se conecta diretamente ao conceito de sociabilidade das competências socioemocionais: a capacidade de “visitar o mundo do outro” sem precisar concordar ou “morar” nele.

Liderar pelo exemplo

Questionada sobre o que ensinaria a futuros líderes, Daniela recusa fórmulas prontas e aponta um princípio central: não existe liderança sem exemplo prático. Antes de esperar que o outro faça algo, quem lidera precisa agir primeiro, assumindo o senso de responsabilidade (ownership) pelo resultado que deseja ver.

Inteligência artificial: ferramenta, não substituta da decisão

Daniela afirma usar IA com frequência e reconhece seu valor para organizar pensamentos e trazer perspectivas diferentes, mas é enfática ao dizer que a ferramenta não deve substituir a autenticidade e a capacidade de decisão da pessoa. Para ela, delegar decisões à IA reduz aquilo que nos torna capazes de gerar impacto: a própria forma de existir e pensar no mundo.

Marca pessoal e autenticidade institucional

Sobre equilibrar exposição pública e representação institucional, Daniela afirma não conseguir separar sua autenticidade pessoal do papel que ocupa. Para ela, um bom trabalho de liderança institucional só é possível quando a pessoa se mantém genuína, dentro dos limites que o cargo exige.

O convite final

Ao encerrar, Daniela reforça a mensagem central da conversa: resgatar a escuta verdadeira de opiniões diferentes, tratando a divergência e a não unanimidade como parte natural da evolução social, em vez de tentar provar um ponto de vista a qualquer custo.

Perguntas frequentes

Quem é Daniela Raad? É advogada, professora, mestre em direito e presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, a pessoa mais jovem e a segunda mulher em mais de seis décadas a assumir o cargo.

Como a liderança muda a forma de decidir, segundo o episódio? A conversa aponta que liderar exige ouvir mais e opinar menos: decisões passam a se basear na escuta de múltiplas perspectivas, não apenas na convicção pessoal.

Qual o papel da inteligência artificial discutido no episódio? A IA é vista como ferramenta de apoio à organização de pensamento, mas não deve substituir a autenticidade e a capacidade de decisão humana.

Onde assistir ao episódio completo? No canal da Conexão IE no YouTube, na série de podcast Carreiras IE.

Este artigo foi produzido a partir do episódio Carreiras IE, apresentado por Alessandra Gonzaga.

Assista ao episódio completo: ▶ Assista ao episódio completo no YouTube Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.

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