novembro 4, 2021
Tempo para transformar
Programas de desenvolvimento de mulheres líderes, como jornadas de formação executiva que já conduzimos pela Conexão IE, costumam nascer de uma pergunta central: que competências socioemocionais e gerenciais uma líder precisa para ascender em sua carreira? Dessa provocação surgem outras, ainda mais incômodas: que tipo de viés inconsciente pode impedir uma profissional de continuar se desenvolvendo? A que comportamento se deve manter atenção e intenção, de maneira a ocupar uma posição de poder? Será a cultura organizacional o principal elo na cadeia de transformação, ou será a mudança especialmente conduzida a partir de autoconhecimento e trabalho interno?
De pesquisas na área de liderança sabe-se que as mulheres performam melhor que homens na maior parte das habilidades socioemocionais, basicamente no eixo escuta, orientação individual, promoção de trabalho em equipe. Entendendo-se que muitas empresas valorizam as tais soft skills, por que então a porcentagem de mulheres em posição de liderança ainda costuma ficar na casa dos 20 ou 30% em empresas globais?
A resposta pode estar na forma como nós, mulheres, lidamos com a transformação. Se por um lado apoiamos emocionalmente nosso grupo de trabalho, por outro temos amplas inseguranças pessoais a cada nova etapa do caminho. Afinal, são também as mulheres as que menos se sentem aptas para executar um trabalho em um novo contexto, as que exigem de si mesmas o máximo de preparação para cada entrega. Assim, para boa parte das líderes, a pressão por resultados as transforma em terríveis críticas de si mesmas e, não raro, isso pode se refletir na sua percepção sobre os outros também.
A expressão que nos ajuda a começar a desatar esses nós é “forever learning”. Isso porque uma das habilidades mais importantes para nosso desenvolvimento pessoal é a abertura a aprender. Isso não requer apenas curiosidade, o que já é ótimo, mas principalmente a disposição em encarar os erros e dificuldades como fontes de crescimento. Saber que, se na primeira vez não fizemos tão bem, na próxima já conseguiremos fazer melhor. Ou seja, também é bacana pensarmos que para aprender é preciso aceitar a mudança. Algo como um “forever changing”: postura que o mundo está exigindo de nós a cada novidade no caminho a seguir. Querem um exemplo? Transformar uma unidade inteira de serviços presenciais em remotos. E depois em híbrido. Mais tarde, presencial novamente. O mundo contemporâneo não é para amadores.
É isso que queremos dizer com aprender continuamente. Por que é tão difícil então? O que impede nossa adaptabilidade a cada novo cenário? A resposta está em alguns hábitos que as pessoas adaptáveis e resilientes emocionalmente não têm:
1. Ter muita pressa — entre o ponto A, onde estamos, até o ponto B, o lugar que desejamos chegar, existem muitas atividades, desafios, rotinas a serem ganhas. A vida não traz essa transformação no nosso ritmo, muito menos na velocidade da troca de um episódio de série. Por vezes é preciso tão somente ter constância de propósitos. Ou seja, teimar em continuar, seguir em direção ao que já foi decidido e planejado. O popular e tão sonhado comprometimento sai daí.
2. Medir o próprio sucesso a partir do filtro de imagem do outro — em tempos de redes sociais, por vezes confundimos número de seguidores com reputação pessoal, e também número de curtidas com efetiva capacidade de influência. Por mais próximos que esses indicadores sejam do que pretendem informar, é preciso lembrar que nossa realidade não recebe filtros nem pode ser impulsionada. Nosso melhor indicador precisa vir daqueles que efetivamente convivem conosco, e dos clientes e colegas que partilham de nossos mesmos desafios.
3. Ter medo do desconhecido — durante o período em que estamos em transição ou em crescimento, pode ser profundamente assustador pensar no futuro. As máximas “não sei se dou conta disso” ou “como será o amanhã” contam em palavras os sentimentos de insegurança e desalento, e por isso o mais importante é levar com leveza nossa rotina, fazendo o que é possível fazer, controlando o que nos é dado controlar. Um dia por vez, enfrentando tantos leões quanto forem necessários.
Em resumo, vamos buscar antídotos para o medo de mudar! Paciência, autenticidade e coragem parecem ser boas conselheiras, virtudes de uma alma adaptável e um coração aberto à vida. Uma boa jornada de transformação a todas nós.
Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn por Alessandra Gonzaga, Ph.D., cofundadora da Conexão IE, como reflexão a partir de uma jornada de formação de mulheres líderes conduzida em parceria com o Programa Uma.
Leia o artigo original:https://www.linkedin.com/pulse/tempo-para-transformar-alessandra-gonzaga-ph-d-/?trackingId=NWd1CBkcQiue3jqphCOmBQ%3D%3D Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.
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