julho 12, 2022
Hoje vou ficar em home office
Como a inteligência emocional e a qualidade de vida são afetadas a partir de nossa interação por telas? Que desafios emocionais existem no trabalho remoto? Nesta reflexão sobre tecnologia e bem-estar emocional, vamos falar sobre os efeitos do mundo híbrido em nossos relacionamentos e atividades profissionais.
Que tal começarmos com as reuniões remotas? As estatísticas são impressionantes: diariamente, centenas de milhões de pessoas em todo o planeta utilizam aplicativos de videoconferência para reuniões com colegas de trabalho ou aprendizado, segundo as empresas provedoras desses serviços.
Em paralelo, há um desejo maior das pessoas em flexibilizarem sua presença nas empresas. Pesquisas amplas sobre o tema apontam ampla predisposição de profissionais das mais diversas áreas em manter alguns dias por semana, ou até a totalidade do tempo, em trabalho remoto. Uma parcela muito significativa dos entrevistados costuma dizer que, se pudesse ter a oportunidade de um trabalho flexível, aproveitaria.
Os benefícios da jornada de trabalho híbrida, em que se pode alternar dias presenciais e dias em home office, já aparecem em pesquisas sobre tendências do mundo do trabalho. Entre os atributos que os funcionários consideram “muito importantes” um empregador prover estão: uma cultura positiva, a percepção de propósito (significado) no que se faz, benefícios para saúde mental e bem-estar, e horário de trabalho flexível. A maior parte desses atributos remete à necessidade que temos de uma vida integrada, com tempo e energia para as diferentes dimensões da existência, em que podemos ser nós mesmos dentro e fora do trabalho. Ficou claro, sobretudo desde a pandemia, que nossa vida é mais do que pagar boletos. Precisa ser.
Entre os argumentos para o trabalho híbrido aparecem desde redução de tempo de deslocamento e demais custos associados à ida ao trabalho até maior tempo para cuidar da saúde e da vida familiar. Em outras palavras, as pessoas querem a oportunidade de equilibrar as diferentes prioridades da vida e esperam usar cada vez menos tempo de seu dia em dedicação exclusiva à empresa.
De minha parte, e acredito que também da maioria das pessoas que leem este artigo, não resta dúvida de que a flexibilização proporcionada pela tecnologia é uma vantagem bem-vinda e corroborada. Quer por nós mesmos, que já incorporamos esse estilo de trabalho, quer pelas inúmeras histórias e casos de pessoas e empresas que conhecemos, cujos depoimentos colhidos aqui e ali apontam tendências do ponto de vista dos funcionários que vão na mesma direção que apontam as estatísticas. “Em casa me concentro melhor para finalizar minhas tarefas”, me disse uma executiva. “Aproveito quando estou em casa para colocar a casa em ordem e me organizar melhor”, disse outra colega.
Mas, se o consenso é claro, por que essa modalidade de trabalho não passou a ser o novo normal, colocando um ponto final nessa conversa? Por que ainda vemos empresas e expoentes do mundo dos negócios defendendo o trabalho exclusivamente presencial, ainda que para atividades administrativas?
Existe um outro ponto de vista, e nem tudo são flores: há problemas em relação à contribuição do trabalho remoto para uma cultura positiva na organização e até para a efetiva realização de algumas tarefas compartilhadas. Esse é um debate que segue em aberto, e que merece ser aprofundado com mais atenção.
Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn por Alessandra Gonzaga, Ph.D., cofundadora da Conexão IE, como parte I de uma série sobre bem-estar emocional e trabalho remoto.
Leia o artigo original: https://www.linkedin.com/pulse/hoje-vou-ficar-em-home-office-alessandra-gonzaga-ph-d-/ Continue a jornada: conheça a Academia IE e o livro Conectados: Competências Socioemocionais na Era do Caos.
Deixe um comentário